"Queiroz chama Liedson" ...
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Já está. O que se começou a falar, aqui e ali, há uns anos atrás acabou por se confirmar. Liedson na selecção portuguesa.
As excepções já tinham sido abertas, por isso não podemos falar disso desta vez. Ao invés de excepção podemos começar a reflectir sobre a regra.
Liedson tem nacionalidade portuguesa, logo, tem todas as condições para jogar na selecção nacional. A minha opinião: não devia. Não por ser o Liedson, não por ter nascido no Brasil, nem sequer por ser do Sporting (para vcs verem como gosto dos lagartos e até coloco essa hipótese :) ).
O Liedson nasceu no Brasil e passou lá mais de 2/3 da sua vida. Veio para Portugal como jogador de futebol, ficou conhecido como tal e aos 31 anos, salvo erro, vai representar a equipa nacional. Em relação a isto tiro as minhas conclusões. Queirós ou Queiroz, não sei bem, treinador das equipas campeãs do mundo, com justiça ou não, símbolo da formação e do lançamento de novos talentos vai convocar o jogador "brasileiro" pela primeira vez. Será que se a selecção estivesse em boas condições para conseguir o apuramento isto acontecia ou é uma "fuga para a frente", deixando para trás valores e convicções? Por quantos anos mais jogará Liedson profissionalmente, e desses, quantos mais pela nossa selecção? 2 ou 3?
As vantagens para Queiroz são óbvias: a selecção está com muito poucas probabilidades de se apurar e isto é a solução mais fácil. Para o jogador: reconhecimento internacional, a última oportunidade de se transferir para um clube estrangeiro e fazer o "contrato da sua vida". Razões válidas? Não me parece.
O sindicato dos jogadores bem tentou evitar esta situação, na verdade, estes casos não contribuem para melhorar as condições dos jovens jogadores portugueses.
A justificação de que todos os outros países fazem o mesmo também não me parece bom argumento. O que irá suceder daqui a uns tempos vai ser o que se tem visto noutras situações, os mais ricos vão ser mais fortes.
Quando eram permitidos apenas 3 jogadores estrangeiros nas competições europeias e 4 nas nacionais (a nível europeu) os jogos eram bastante mais competitivos. Agora, por força do dinheiro, temos sistematicamente os clubes ingleses, espanhóis e italianos nas finais, salvo raras excepções.
O futebol é só um exemplo.
Fiquei surpreendido ao ver nos últimos dias, o Bahrain a ganhar medalhas em corridas de fundo nas provas de Berlim... os corredores eram "quenianos". Afinal talvez os prémios se comprem no desporto.*
*Não é uma piada ao FCPorto e ao Pintinho.
10 comentários:
E' dificil, principalmente hoje em dia, definir a "verdadeira" nacionalidade de alguem.. devera' ser o pais em que nasceu? O tempo que passou num determinado pais? A nacionalidade oficial em que esta' registado?
Muito bem opinado.
De facto a globalização tem destas coisas, umas boas e outras más.
Jacek, não te sei responder a isso. O que acho é que este caso resume-se a uma questão de dinheiro como cada vez mais no desporto. Talvez a pergunta mais adequada a fazer a quem quisesse a nacionalidade portuguesa fosse: "Porque queres ser português?"
Pedro, a globalização tem coisas muito boas e na verdade esta situação numa visão global nem é grave. Revela perda de identidade. O mundo está a mudar. Talvez tenha que me adaptar. Cada vez mais somos cidadãos europeus, daqui a uns tempos seremos do mundo e as fronteiras deixarão de fazer sentido... acreditas? :)
É complicado ter a certeza de que estes jogadores, Liedson, Pepe, Deco, etc, gostam mesmo de Portugal ou querem simplesmente se valorizar.
Será que até gostam mais de Portugal que outros que estão convocados, que nasceram cá, mas a maioria da sua vida foi passada fora das fronteiras? Talvez.
Não acredito que o objectivo de todos seja o de defender Portugal, logo como em muita coisa da vida, por uns poucos pagam muitos, logo por alguma injustiça que poderia criar, só os nascidos cá devem jogar na selecção. Só os nascidos cá devem devem ter a bandeira de Portugal no peito em qualquer desporto (incluindo Ping-Pong). Só os nascidos cá deveriam ter 80% da constituição da equipas (falo no campeonato normal).
Não ganhamos medalhas assim? Paciência.
Os clubes não iriam à liga dos campeões? Paciência. Chorem um bocado, que depois passa.
Porque se cada vez mais somos do Mundo e não do País, algo que concordo a 100%, então mais vale acabar-se com as selecções, porque há uns meses a selecção da Itália de futsal a certa altura do jogo só tinha brasileiros no campo...
Mas acho que há coisas muito mais importantes que me preocupam, tal como ver um Benfiquista a dizer que gosta do sporting...Ainda bem que esse senhor vai jogar futebol hoje comigo e eu vou ter hipótese de lhe deixar uma marquinha no tornozelo de lembrança...
Sobre as fronteiras, não me importava nada que se riscassem do mapa (perceberam a piada?...acredito que não), mas deixava alguns de fora.
A França, Espanha, Inglaterra, Bélgica, EUA e Holanda podiam ter o seu próprio risco à volta.
Não gosto de ouvir o Françês.
Não gosto de como as Espanholas e as Inglesas se pintam.
Não gosto da cozinha da Bélgica e Holanda.
Não gosto dos americanos (tal como atrás disse, por uns poucos levam muitos)
Apesar de teres jogado na minha equipa, notei ali num momento ou outro que bem te apetecia deixar a tal marquinha de que falaste :)
Gosto de alguns "lagartos", não gosto dos "lagartos" :)
humm, concordo contigo Pestana. Tentei imaginar como seria mais interessante viver o espirito de um jogo da seleccao e sendo esta constituida por pessoas nascidas no pais seria mais emocionante. Realmente a seleccao nao deve ser algo que se "compre", mas algo que seja uma marca de identidade do pais. Caso os jogadores sejam emigrantes. nao vejo problema nisso, diria que tambem faz parte da identidade do pais...
Carlos, acredito que as fronteiras deixarao de fazer sentido em certos contextos, mas noutros nao.. por exemplo com a CEE estas deixaram de fazer sentido economicamente, com a UE estas deixaram de fazer sentido para a circulacao de pessoas.
No entanto, apesar de nao termos fronteiras fisicas entre Lamas e Lourosa, esta esta' muito bem definida.
Imagina lá que um habitante e natural de Lourosa, que sempre passou lá a vida, frequentava diariamente o café central, ia jogar para a equipa de malha do Lamas? Gostavas?
E' isso mesmo :D Ia ser sempre visto como o gajo de Lourosa que deve ser azeiteiro
Isto é uma pouca vergonha!
Nasci em Portugal e em 28 anos de vida não passei mais de 30 dias fora do país, somando tudo;
só não cumpri o serviço militar cá porque deixou de ser obrigatório;
os Xutos & Pontapés são a minha segunda banda preferida e os Blind Zero a terceira;
sei o hino de cor, até sei escrever "egrégios", e nunca fui convocado para a selecção!
Desculpem o desabafo, mas não me consigo conformar com tudo isto.
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